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Moraes mudou celular antes de vazamento no caso Master

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O ministro do STF, Alexandre de Moraes, trocou seu número de telefone celular no dia 9 de fevereiro, menos de um mês antes de suas conversas com o banqueiro Daniel Vorcaro virem a público. A mudança de aparelho ocorreu semanas antes da divulgação de mensagens do caso Master, conforme publicou a Revista Oeste e o jornal O Globo. O magistrado agora tenta desqualificar a relação direta com o ex-dono do Banco Master, alegando que não era o destinatário das mensagens recuperadas pela Polícia Federal (PF).

A frágil defesa do ministro

A estratégia de defesa de Moraes sofreu um duro golpe com a declaração de sua própria esposa, a advogada Viviane Barci de Moraes. O ministro havia afirmado que as mensagens de Vorcaro estavam guardadas em pastas de outras pessoas no sistema da PF, o que provaria que ele não era o destinatário. No entanto, Viviane negou enfaticamente ter recebido qualquer contato do banqueiro, derrubando a lógica do marido, já que o nome dela aparece em um dos diretórios citados. Outros personagens, como o senador Irajá Abreu (PSD) e o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, também desmentiram o recebimento.

Peritos ouvidos pela CNN Brasil esclarecem que o programa de perícia utilizado pela PF, o IPED, funciona como um organizador automático baseado no “DNA digital” (hash) dos arquivos. O software não agrupa arquivos por afinidade ou remetente, tornando a presença de mensagens na mesma pasta uma mera coincidência matemática, e não uma prova de quem recebeu o texto. Além disso, o jornal O Globo confirmou que o número usado na época dos diálogos pertencia a Alexandre de Moraes.

A ironia das mensagens apagadas

As mensagens atribuídas a Vorcaro foram enviadas por aplicativos com o recurso de “visualização única”, que desaparecem após a leitura. O banqueiro, preso em 17 de novembro de 2025, perguntava repetidamente ao ministro: “Conseguiu bloquear?”. A ironia da situação é gritante: o mesmo ministro que adotou uma linha duríssima contra o apagamento de mensagens, chegando a condenar a cabeleireira Débora Rodrigues por supostamente apagar conteúdos do celular durante o 8 de janeiro, agora precisa explicar suas próprias conversas deletadas, conforme destacou editorial da Gazeta do Povo.

O mundo dá voltas, e a hipocrisia do sistema fica cada vez mais evidente. O “xerife” que exigia transparência absoluta e punia com rigor implacável o cidadão comum por apagar mensagens, agora se esconde atrás de desculpas técnicas frágeis para justificar conversas deletadas com um banqueiro investigado. A opinião pública não é ingênua e percebe o duplo padrão de uma Justiça que parece ter um peso para os aliados do establishment e outro, muito mais pesado, para os conservadores e opositores políticos. Resta saber se o Senado terá a coragem moral de cumprir seu papel constitucional diante de fatos tão graves.

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