O senador Carlos Viana (Podemos-MG), presidente da CPMI do INSS, confirmou nesta segunda-feira (16) que as mensagens enviadas pelo banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, no dia de sua prisão, tiveram como destino um número funcional do Supremo Tribunal Federal (STF). A revelação, que contradiz a defesa do ministro Alexandre de Moraes, ocorreu durante entrevista ao programa Roda Viva e eleva a tensão institucional em Brasília.
Afastamento de Moraes em pauta
Segundo as investigações da Polícia Federal na Operação Compliance Zero, Vorcaro enviou uma mensagem questionando se o interlocutor teria conseguido “bloquear” algo, horas antes de ser detido. Conforme publicou o Diário do Poder, Viana foi categórico ao afirmar que não há dúvidas de que o número pertence ao STF e cobrou que a Corte identifique oficialmente quem o utilizava naquele momento.
O presidente da CPMI foi além e defendeu o afastamento imediato de Alexandre de Moraes durante as investigações. “Em qualquer país sério do mundo, o ministro estaria afastado do cargo”, declarou Viana, ressaltando a necessidade de uma apuração profunda sobre o relacionamento do magistrado com o banqueiro investigado por fraude bilionária.
Reação do STF e investigações
A defesa de Moraes negou qualquer contato com Vorcaro. Em resposta aos vazamentos, o ministro André Mendonça, também do STF, determinou a abertura de investigação para apurar como as mensagens vieram a público e vedou o acesso da CPMI aos dados privados do dono do Banco Master. A Polícia Legislativa também iniciou apurações sobre o caso.
Análise NotíciaDireta: A confirmação de que um investigado por fraudes bilionárias mantinha linha direta com um número funcional da mais alta Corte do país é um escândalo que, em democracias consolidadas, resultaria em renúncias imediatas. A postura defensiva do STF, focada em investigar quem vazou a informação em vez de apurar o conteúdo gravíssimo das mensagens, apenas reforça a percepção de que há um esforço orquestrado para blindar Alexandre de Moraes. A blindagem institucional não pode se sobrepor à transparência e à lei, valores fundamentais que parecem cada vez mais relativizados no Brasil atual.