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Itália autoriza extradição de Zambelli ao Brasil

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Carla Zambelli, ex-deputada federal, alvo de decisão de extradição pela Justiça italiana
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A Justiça italiana autorizou a extradição de Carla Zambelli ao Brasil, em decisão que abre caminho para o retorno da deputada federal cassada ao país onde responde a processos criminais. A parlamentar está na Itália desde o final de 2024, após sair do Brasil antes do cumprimento de medidas judiciais impostas pelo Supremo Tribunal Federal.

Extradição de Zambelli: o que se sabe

Segundo informações apuradas pela Gazeta do Povo e pelo Metrópoles, a decisão foi proferida por tribunal italiano competente para analisar pedidos de extradição formulados por países com os quais a Itália mantém tratados de cooperação jurídica. O Brasil e a Itália possuem acordo bilateral que prevê a entrega de nacionais em casos de crimes graves. Zambelli, que possui dupla cidadania, tentou usar a nacionalidade italiana como escudo jurídico para barrar o processo — estratégia que não prosperou.

A deputada teve o mandato cassado pela Câmara dos Deputados e seus direitos políticos suspensos após condenação no Supremo Tribunal Federal por envolvimento em esquemas ligados à tentativa de golpe de Estado em 2022. A Polícia Federal já havia solicitado sua prisão preventiva antes da fuga ao exterior.

Contexto político e jurídico

O caso Zambelli se insere num conjunto mais amplo de investigações sobre os eventos de 8 de janeiro de 2023 e a suposta articulação para impedir a posse do presidente Lula. Outros investigados também buscaram refúgio fora do Brasil, com resultados variados nas disputas jurídicas internacionais. A extradição, contudo, ainda depende de atos formais do governo italiano e do trânsito em julgado da decisão, o que pode levar semanas ou meses.

A defesa de Zambelli não se manifestou publicamente sobre a decisão até o fechamento desta edição. Nos últimos meses, a ex-deputada manteve atividade nas redes sociais, criticando o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal a partir do exterior.

A extradição de Zambelli, se concretizada, encerra uma fuga que durou meses e que, para muitos de seus apoiadores, tinha contornos de resistência política. O problema é que fugir da Justiça — independentemente de quem seja o réu ou qual seja o tribunal — não é resistência: é fuga. O uso da cidadania italiana como escudo jurídico não funcionou, e o recado é claro: tratados internacionais existem justamente para que fronteiras não se tornem abrigo para quem tenta escapar de suas responsabilidades legais. Agora, o processo seguirá seu curso — e o Brasil terá de lidar com mais um capítulo de uma crise institucional que ainda não foi totalmente encerrada.

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