Anotações em agenda apreendida pela PF revelam que ex-presidente do Banco de Brasília teria articulado compra de carteiras para impedir a quebra do Banco Master, envolvido em fraude bilionária.
A Polícia Federal (PF) encontrou evidências de que a cúpula do Banco de Brasília (BRB) teria atuado diretamente para evitar o colapso do Banco Master, que está no centro de uma investigação por fraude bilionária. As informações, divulgadas pelo jornal Folha de S.Paulo , constam em anotações apreendidas na agenda de Luana de Andrade Ribeiro, ex-diretora de Controle e Riscos do banco estatal.
As anotações, datadas de julho do ano passado, indicam que o então presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, teria determinado a compra de carteiras de crédito do Banco Master com o objetivo explícito de salvar a instituição. Segundo o relato da reunião da diretoria, anotado por Luana, Costa teria afirmado que era necessário efetuar as compras, pois, “Se não, o Master vai quebrar” .
Operação Bilionária e Suspeita de Fraude
O BRB comprou um total de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master. Investigações da PF apontam que esses papéis eram fraudulentos e teriam sido originados pela empresa de fachada Tirreno, e não pelo próprio Master, como deveria ser.
Em depoimento à PF em dezembro, Paulo Henrique Costa defendeu a operação, alegando que a compra das carteiras tinha um duplo objetivo: cumprir o planejamento do BRB de aumentar a rentabilidade e, ao mesmo tempo, permitir que o banco ganhasse tempo para a substituição de ativos do Master, em seu papel de “zelar pelo BRB” .
“Se a gente olhar essa data, a gente está no meio do processo de substituição de carteiras. Então, todas as cessões que nós fizemos ao longo desse período, eu vou chamar final, elas tinham dois objetivos, cumprir o nosso objetivo de mudar a carteira do banco, de aumentar a rentabilidade, que está previsto no planejamento, e dois, permitir que a gente fizesse as substituições” .
Costa negou ter conhecimento de que as carteiras tinham origem na Tirreno ou que houvesse qualquer suspeita sobre a documentação dos papéis no início das aquisções, em julho de 2024. Ele afirmou que as carteiras apresentavam um desempenho adequado, com baixa inadimplência e rentabilidade dentro do previsto, sem apontamentos do Banco Central .
Descoberta da Irregularidade
A irregularidade só teria sido detectada em abril de 2025, quando o BRB resolveu ampliar os processos de verificação devido ao volume das carteiras. Foi nesse momento que o banco percebeu um “padrão documental diferente” e que os papéis não haviam sido originados pelo Banco Master.
Diante da demora do Master em fornecer a totalidade dos contratos para uma auditoria independente, o BRB iniciou um processo de substituição de carteiras e comunicou o ocorrido ao Banco Central em 25 de maio .
A defesa de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou em nota que as carteiras de crédito foram substituídas por outros ativos, registrados no balanço da instituição e auditados. A defesa lamentou a divulgação de trechos de depoimentos fora de contexto e garantiu que segue colaborando com as autoridades .