Documento revela que Ricardo Leyser Gonçalves, ex-ministro do Esporte, defendeu a participação de bancos privados, como o Master, no programa habitacional, sem subordinação à Caixa Econômica Federal.
Um documento obtido pela coluna de Paulo Cappelli, do Metrópoles , revela a atuação de Ricardo Leyser Gonçalves, ex-ministro do Esporte no governo Dilma Rousseff (PT), junto à gestão de Luiz Inácio Lula da Silva para tentar incluir o Banco Master no programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV). A iniciativa, formalizada em um ofício de 16 páginas enviado ao ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, em março de 2024, propunha um modelo de participação de bancos privados “sem qualquer tipo de subordinação administrativa ou financeira à Caixa Econômica Federal” .
Leyser, que após deixar o governo passou a atuar no setor privado, apresentou-se como diretor da VBG Engenharia e Empreendimentos. Ele alegou que a empresa desenvolveu instrumentos operacionais para o MCMV “em conjunto com o Banco Master, o Banco Digimais e o Banco Genial” .
Proposta de Execução Paralela à Caixa
O principal objetivo da proposta era permitir que instituições financeiras privadas participassem da construção de moradias em cidades com até 80 mil habitantes. Nesse modelo, bancos como o Master receberiam recursos da União e seriam responsáveis por contratar construtoras para erguer as residências.
Leyser argumentou que a modalidade Oferta Pública traria celeridade ao programa, destacando a “natureza privada das Instituições que participam da Oferta Pública” .
“São instituições mais enxutas, com grande capacidade operacional e enorme flexibilidade para criar sistemas e processos que atendam às necessidades do Novo PMCMV, em especial no universo de mais de 5 mil municípios com população igual ou inferior a 80 mil habitantes” .
O ex-ministro defendeu veementemente que a participação dos bancos privados deveria ser paralela à atuação da Caixa Econômica Federal (CEF), hoje o principal agente do programa. Segundo ele, “Subordinar a Modalidade Oferta Pública a qualquer tipo de subordinação financeira e/ou administrativa à CEF significa a inviabilização da participação das instituições financeiras privadas” .
O Risco e o Não-Avanço da Proposta
No documento, Leyser assegurou que as instituições financeiras envolvidas eram “economicamente saudáveis” e que assumiriam o risco de contratação das construtoras, tratando-se de um “risco entre dois privados” .
Apesar da pressão e das reuniões, a proposta não avançou por falta de regulamentação da modalidade Oferta Pública e por não possuir dotação orçamentária, conforme informou o Ministério das Cidades .
A revelação da atuação de Leyser ocorre em um momento delicado para o Banco Master, que teve sua liquidação extrajudicial decretada pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio a investigações de fraudes que somam R$ 12,7 bilhões .