O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, deu 24 horas para a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) explicar um possível descumprimento das condições de sua prisão domiciliar. O gatilho: um vídeo em que o deputado federal Eduardo Bolsonaro afirma ter exibido imagens ao pai durante a CPAC — evento conservador realizado nos Estados Unidos.
Vídeo de Eduardo Bolsonaro acende alerta na prisão domiciliar
O vídeo foi publicado na rede X. Nele, Eduardo diz: “Eu estou mostrando para o meu pai e vou provar para todo mundo no Brasil que você não pode calar um movimento de forma injusta, tirando o seu líder, Jair Messias Bolsonaro.” A declaração levantou dúvidas imediatas: se o ex-presidente assistiu ao vídeo, pode ter violado as restrições que lhe foram impostas.
Ao autorizar a prisão domiciliar, em 24 de março, Moraes proibiu expressamente o acesso a celulares, telefones e redes sociais. O descumprimento dessas condições pode levar Bolsonaro de volta à chamada Papudinha, unidade prisional em Brasília. A decisão foi assinada poucos dias antes de ele receber alta do hospital DF Star, onde tratou broncopneumonia bacteriana por cerca de duas semanas.
Defesa tem prazo para detalhar as circunstâncias
A ordem de Moraes exige que os advogados de Bolsonaro esclareçam se houve acesso do ex-presidente ao conteúdo exibido por Eduardo Bolsonaro na CPAC. Não há, até o momento, confirmação de que o vídeo tenha sido efetivamente mostrado ao ex-presidente ou de que ele tenha manuseado qualquer dispositivo.
O episódio revela o ambiente de vigilância permanente ao qual Bolsonaro está submetido — com qualquer deslize sendo usado como munição para agravar sua situação judicial. Enquanto o STF age com rapidez para investigar um vídeo publicado nas redes, o mesmo tribunal demora anos para julgar casos que envolvem aliados do governo Lula. A pressa seletiva de Moraes não é novidade — mas vale registrar cada vez que ela aparece.