Rosângela Lula da Silva, a Janja, acumula 170 dias de viagens internacionais desde que Luiz Inácio Lula da Silva assumiu a presidência em janeiro de 2023. O levantamento, obtido via Lei de Acesso à Informação e divulgado pela Revista Oeste, revela que a primeira-dama passou quase seis meses fora do país em pouco mais de três anos de mandato.
Janja fora do Brasil: os números do levantamento
Os 170 dias somam viagens a países como Estados Unidos, França, Espanha, Portugal, Emirados Árabes e China, entre outros destinos. A maioria dos deslocamentos ocorreu em comitivas presidenciais, mas parte das viagens foi realizada de forma independente, com agenda própria, conforme apurou a Gazeta do Povo. Os custos arcados pelo erário público ainda não foram integralmente detalhados pelo Palácio do Planalto.
Ao contrário de primeiras-damas anteriores, Janja assumiu papel ativo na política externa do governo PT, discursando em fóruns internacionais e participando de reuniões com chefes de Estado. A postura levanta debate sobre o limite entre representação institucional e uso de recursos públicos para agenda pessoal.
Transparência e custo ao contribuinte
O Planalto não divulgou proativamente os custos detalhados das viagens da primeira-dama. Pedidos de acesso à informação protocolados por veículos independentes revelaram parte dos dados, mas respostas consideradas incompletas geraram novos recursos administrativos. A opacidade contrasta com o discurso de transparência adotado pelo governo Lula durante a campanha eleitoral de 2022.
Um governo que prometeu austeridade e transparência encontra dificuldade em explicar 170 dias de viagens da primeira-dama às custas do contribuinte. Janja não ocupa cargo eletivo, não tem mandato e não presta contas formais. O padrão de gastos e a ausência de prestação de contas detalhada contradizem o discurso oficial. Enquanto o governo amplia impostos e déficit, a agenda internacional da primeira-dama segue sem escrutínio adequado.