Gilmar Mendes ironizou nesta quarta-feira (23) a pressão popular e as críticas dirigidas ao STF, ao dizer que há “200 milhões de juristas” opinando sobre a Corte no Brasil. A fala de Gilmar Mendes ocorreu em meio ao desgaste da imagem do tribunal e à reação crescente contra decisões de forte impacto político.
Gilmar Mendes e o STF
Segundo registros publicados por CNN Brasil e pela Folha de S.Paulo, o ministro voltou a defender o papel do Supremo Tribunal Federal como intérprete final da Constituição. A declaração foi usada para desqualificar a avalanche de críticas vindas das redes, de juristas independentes e de setores da oposição que questionam os limites de atuação da Corte.
O comentário não surgiu no vácuo. O STF ampliou seu protagonismo nos últimos anos, ocupando espaço que muitas vezes deveria caber ao Congresso. Em temas penais, eleitorais e institucionais, ministros passaram a falar com frequência como atores políticos. Isso ajuda a explicar a rejeição pública. Não se trata apenas de opinião sem base técnica, como sugeriu o ministro. Trata-se de reação a decisões que interferem na vida política do país.
Ao tratar a crítica como ruído de “200 milhões de juristas”, Gilmar Mendes aposta na velha blindagem corporativa. O problema é que a confiança nas instituições não se recupera com sarcasmo. Recupera-se com autocontenção, previsibilidade e respeito à separação entre os Poderes. Quando a Corte age além da conta, o questionamento deixa de ser exagero e passa a ser consequência.
A fala de Gilmar Mendes expõe um vício do topo da República: o de confundir crítica pública com ignorância popular. Em vez de responder ao excesso de poder do STF, parte da Corte prefere ridicularizar o cidadão. Esse distanciamento ajuda a explicar por que tanta gente vê hoje ministros como agentes políticos, não como árbitros discretos da Constituição.