O Grupo Toky, controlador de Tok&Stok e Mobly, pediu recuperação judicial nesta terça-feira (12), na Justiça de São Paulo, com dívida de cerca de R$ 1,1 bilhão. O caso corre sob segredo de justiça, após a empresa alegar perda de fôlego financeiro e risco de colapso das operações.
Recuperação judicial no varejo
Na petição, a companhia afirma que a crise se arrasta desde a pandemia, quando mais de 17 lojas foram fechadas. Segundo comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários, juros altos, inflação persistente, crédito mais restrito e queda na compra de bens duráveis corroeram vendas e caixa.
O grupo diz que tentou reestruturar o passivo da Tok&Stok, mas o endividamento seguiu em alta. Em 2023, a empresa renegociou cerca de R$ 339 milhões em dívidas bancárias, firmou acordo de reestruturação tecnológica com a Domus Aurea e recebeu aporte de R$ 100 milhões dos acionistas. Não bastou.
Conforme publicou o UOL, o pedido inclui medidas urgentes para evitar bloqueios que poderiam travar a operação. A empresa cita risco de dano irreparável e menciona bloqueio de R$ 77 milhões, num quadro que expõe a fragilidade de um setor que cresceu no impulso artificial da pandemia e depois encarou a conta real.
Crise expõe custo do ambiente econômico
O caso mostra como empresas alavancadas sofrem quando o consumo perde força e o crédito encarece. No varejo de móveis, a combinação de margem apertada, estoques caros e dependência de financiamento ao consumidor costuma punir erros de gestão com rapidez.
A recuperação judicial do Grupo Toky não é só um problema empresarial. É também retrato de um país hostil ao investimento, com juros altos, consumo fraco e ambiente econômico sufocado. Sem produtividade, capital e liberdade para crescer, até marcas conhecidas acabam recorrendo à Justiça para sobreviver.