O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União-AP), protagonizou um episódio que beira o escárnio com o dinheiro do pagador de impostos: enviou um ofício a si mesmo solicitando a liberação de R$ 379 milhões em emendas parlamentares. O documento, revelado inicialmente pelo jornal O Globo e confirmado por veículos como a Revista Oeste, destina recursos para o Amapá, incluindo verbas para uma obra executada pela construtora de seu próprio suplente.
O teatro das emendas impositivas
O ofício de 15 páginas, assinado por Alcolumbre na condição de coordenador da bancada do Amapá e endereçado a ele mesmo como presidente do Congresso, solicita “respeitosamente” a liberação de valores referentes a emendas de comissão e ao antigo orçamento secreto. O montante equivale a cinco vezes o valor anual a que um senador tem direito em emendas impositivas. A justificativa oficial? Cumprir um acordo com o Supremo Tribunal Federal (STF) para dar “transparência” aos repasses. Uma transparência seletiva, que mais parece um deboche institucional.
O que torna a situação ainda mais grave é o destino de parte dessa verba. Dos R$ 379 milhões, cerca de R$ 30,5 milhões foram direcionados para a revitalização de uma rodovia no Amapá, obra tocada por uma empresa ligada a Breno Chaves Pinto, segundo suplente de Alcolumbre. O empresário, vale ressaltar, é alvo da Polícia Federal (PF) na Operação Route-156, que investiga fraudes em licitações. A PF chegou a flagrar o suplente saindo de uma agência bancária com R$ 350 mil em espécie, após alertas do Coaf sobre movimentações atípicas.
A farra com o dinheiro público
Enquanto o cidadão comum sofre com a carga tributária asfixiante e a inflação, a elite política de Brasília continua operando seus feudos. Especialistas em contas públicas, como Roberto Livianu, apontam que esse modelo de ofício é um “método de disfarce” para ludibriar a fiscalização e ocultar a verdadeira autoria das indicações. É o velho patrimonialismo brasileiro em ação, onde o Estado serve aos interesses de poucos em detrimento da nação.
Análise NotíciaDireta: O caso de Davi Alcolumbre é o retrato perfeito de um sistema político apodrecido, onde a casta de Brasília legisla e opera em causa própria. A manobra de enviar um ofício a si mesmo para liberar milhões, beneficiando indiretamente um aliado investigado pela PF, escancara a urgência de uma redução drástica do tamanho do Estado. Enquanto houver bilhões disponíveis para distribuição política sem critérios técnicos rigorosos, o pagador de impostos continuará sendo feito de palhaço. É preciso secar a fonte dessa farra e exigir responsabilidade real, não o teatro de transparência que o establishment tenta nos vender.