Um ex-gestor ligado ao escândalo do Banco Master está em negociação com autoridades para firmar acordo de delação premiada em investigação que apura conexões com o Primeiro Comando da Capital (PCC). As tratativas envolvem a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, segundo apuração da Gazeta do Povo e da CNN Brasil.
Delação Master e PCC: o que está em jogo
O ex-gestor, cujo nome não foi divulgado oficialmente, teria informações sobre supostos fluxos financeiros que conectariam operações do Banco Master a integrantes da maior facção criminosa do Brasil. A investigação corre em paralelo ao inquérito sobre as irregularidades contábeis e a crise de liquidez que levaram o banco à intervenção do Banco Central no início de 2025.
A delação, se confirmada, pode ampliar significativamente o escopo do caso. Até agora, o escândalo do Master girava em torno de supostas fraudes contábeis e da tentativa de transferir o passivo da instituição para o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) — operação que, na prática, socializaria prejuízos privados com recursos do sistema financeiro. A entrada do PCC na equação adiciona uma dimensão criminal de outra magnitude.
Fontes próximas às investigações, ouvidas pela Metrópoles, indicam que o acordo ainda está em fase preliminar. O colaborador teria exigido garantias de proteção e redução de pena antes de entregar documentos e informações detalhadas sobre movimentações suspeitas.
Contexto político e institucional
O caso Master já expôs a fragilidade da supervisão do Banco Central durante a gestão Lula. A possível ligação com o PCC agrava o quadro e coloca em xeque a narrativa do governo de que a crise foi “herdada” e está sob controle. Se a delação avançar, o Ministério Público Federal poderá pedir a abertura de novos inquéritos com ramificações políticas imprevisíveis.
A delação de um ex-gestor do Master com informações sobre o PCC é o tipo de desenvolvimento que o governo Lula preferia não ver nas manchetes. O caso já expunha a omissão do Banco Central; agora pode revelar algo pior: que dinheiro de origem criminosa circulou por uma instituição financeira sob os olhos do Estado. Se as autoridades levarem isso a sério — e não engavetarem como tantos outros inquéritos incômodos —, o escândalo pode ser muito maior do que o colapso de um banco.