O Estadão voltou a atacar o inquérito das fake news ao publicar, em 11 de abril de 2026, uma crítica dura ao método adotado no Supremo Tribunal Federal, com referência direta ao ministro Alexandre de Moraes. O jornal questiona a concentração de poderes no relator e afirma que o procedimento se afastou de garantias básicas do devido processo legal.
Inquérito das fake news sob pressão
Conforme publicou o O Estado de S. Paulo, o ponto central da crítica é a sobreposição entre investigar, acusar e punir dentro de uma mesma estrutura decisória. A expressão “inquisidor”, atribuída ao ministro, resume a avaliação de que o inquérito ganhou contornos de exceção. A Folha de S.Paulo e a CNN Brasil já registraram, em diferentes momentos, o debate sobre os limites constitucionais desse modelo.
O inquérito foi aberto em 2019 para apurar ameaças, ofensas e campanhas de desinformação contra ministros da Corte. Desde então, o escopo se expandiu e passou a alcançar bloqueios de perfis, buscas, prisões e medidas cautelares contra parlamentares, jornalistas, influenciadores e empresários. Críticos apontam falta de transparência, critérios elásticos e dificuldade de controle externo. Defensores alegam que a reação dura seria necessária para conter ataques às instituições.
A crítica do Estadão pesa por partir de um veículo tradicional, historicamente ligado à defesa institucional. Quando um jornal desse porte acusa abuso de poder no coração do Judiciário, o debate deixa de ser tema de nicho e ganha densidade nacional. O ponto não é negar crimes digitais. É discutir se o combate a eles pode atropelar liberdades civis e inverter a lógica do Estado de Direito.
Liberdade, limites e o papel do Supremo Tribunal Federal
No plano político, o caso expõe uma fissura crescente entre o discurso oficial de defesa da democracia e práticas que concentram poder sem freios claros. Em qualquer democracia madura, inclusive as admiradas por setores liberais e conservadores no exterior, autoridade sem contrapeso produz distorção. A crítica ao inquérito não absolve abusos na internet. Ela cobra regra estável, juiz imparcial e respeito ao rito.
O recado do Estadão é simples: não existe democracia sólida quando a exceção vira método. Se o Supremo Tribunal Federal normaliza investigações sem freio, abre espaço para um poder cada vez mais político e menos jurídico. Quem hoje aplaude a censura contra adversários pode amanhã descobrir que entregou ao Estado uma arma sem trava.