O ministro Benedito Gonçalves, do Superior Tribunal de Justiça, se declarou impedido de julgar processos envolvendo o Banco Master. A decisão foi formalizada em 31 de março de 2026 nos autos da Corte.
Evento em Londres motiva impedimento
O afastamento decorre da participação do ministro em encontro jurídico realizado em Londres, em abril de 2024. O banco financiou a iniciativa, que reuniu magistrados do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal.
Durante a viagem, o empresário Daniel Vorcaro, ligado ao Banco Master, organizou degustação de whisky avaliada em R$ 3,3 milhões. Registros extraídos do celular de Vorcaro mostram que o telefone de Benedito Gonçalves foi salvo na agenda em 26 de abril de 2024, data do evento.
Segundo informações do Diário do Centro do Mundo, o custo total dos eventos com juízes em Londres chegou a R$ 31 milhões. Ao menos cinco ministros do Superior Tribunal de Justiça estiveram presentes, conforme publicou a Metrópoles.
Imparcialidade sob suspeita
O Código de Processo Civil e o Código de Processo Penal preveem o impedimento quando o magistrado reconhece vínculos capazes de comprometer sua independência. Benedito Gonçalves se enquadrou nessa categoria e comunicou o afastamento antes que qualquer parte formalizasse o pedido.
O ministro já havia sido alvo de sanções dos Estados Unidos, que cancelaram seu visto em setembro de 2025. O Superior Tribunal de Justiça classificou a medida como interferência injustificável.
Quando a convivência entre juiz e patrocinador alcança contornos de hospitalidade de luxo, a separação entre julgar e ser julgado se dissolve. A autonomia do Judiciário depende de aparências tão quanto de fatos. Não bastava Benedito Gonçalves acreditar em sua própria imparcialidade: era preciso que ela parecesse real para quem é julgado pelo sistema.