O Supremo Tribunal Federal blindou o ministro Dias Toffoli de investigação criminal e colheu crítica direta da Folha de S.Paulo, que classificou a decisão como “péssimo exemplo” para a credibilidade institucional do tribunal. O episódio voltou ao centro do debate político em março de 2026 e aprofunda a percepção de que a corte opera com regras distintas para seus próprios membros.
STF barra investigação e protege ministro
A Folha de S.Paulo publicou editorial contundente criticando a postura do STF ao impedir que investigações avançassem sobre Toffoli. O jornal alertou que a decisão compromete a imagem do tribunal perante a sociedade e sinaliza uma lógica de autoproteção incompatível com o Estado de Direito. Conforme apurado pelo Estadão, o caso envolve suspeitas de irregularidades que, em qualquer outra instância, já teriam resultado em inquérito formal.
O mecanismo usado pelo tribunal para barrar a investigação é o mesmo que críticos do STF apontam há anos: ministros julgando causas que afetam diretamente colegas de corte. A ausência de um órgão externo de controle sobre os membros do Supremo transforma o tribunal em juiz e réu ao mesmo tempo — arranjo que nenhuma democracia consolidada toleraria.
Credibilidade institucional em xeque
O editorial da Folha não é um caso isolado. A Gazeta do Povo e a Revista Oeste também registraram a insatisfação crescente de juristas e analistas com o padrão duplo aplicado pelo tribunal: rigoroso com adversários políticos, condescendente com seus próprios integrantes. Toffoli, que já protagonizou polêmicas envolvendo o empresário Glaidson Acácio dos Santos e suspeitas de favorecimento em decisões, segue sem responder formalmente por nenhuma das acusações.
O impacto vai além do caso individual. Pesquisas de opinião mostram queda consistente na confiança popular nas instituições judiciais brasileiras. Quando o próprio tribunal que deveria garantir igualdade perante a lei age para proteger um de seus membros, o dano à legitimidade é estrutural — e difícil de reverter.
O Supremo Tribunal Federal acumulou, nos últimos anos, poder sem precedente na história republicana brasileira. Interferiu em eleições, censurou veículos de imprensa e expandiu sua jurisdição muito além do texto constitucional. Agora, quando um de seus ministros é alvo de suspeitas graves, o tribunal fecha fileira para protegê-lo. Não é surpresa — é a consequência lógica de uma corte sem freios externos. A Folha acertou ao chamar de péssimo exemplo. O problema é que exemplos ruins, quando vêm de cima, tendem a se tornar regra.