O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) formou maioria nesta terça-feira (24) para condenar o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), à inelegibilidade até 2030. A decisão, motivada por acusações de abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022, ocorreu apenas um dia após a renúncia repentina do político ao cargo, em uma manobra que não impediu o julgamento da corte eleitoral.
O peso do Estado nas eleições
A condenação de Cláudio Castro expõe, mais uma vez, as engrenagens do aparelhamento estatal no Brasil. O caso central envolve o desvirtuamento da Fundação Ceperj e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Segundo a denúncia, houve a contratação de mais de 27 mil servidores temporários sem qualquer justificativa de urgência, além da criação de programas sociais em ano eleitoral sem respaldo técnico, conforme publicou a Agência Brasil. A máquina pública foi utilizada como um verdadeiro comitê de campanha, com pagamentos realizados em espécie, burlando a transparência e o controle.
O placar de 5 votos a 2 no TSE refletiu a gravidade das acusações. A relatora, ministra Isabel Gallotti, foi acompanhada por outros quatro ministros, incluindo a presidente da corte, Cármen Lúcia. Além de Cláudio Castro, o ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), teve seu diploma cassado e também foi declarado inelegível, evidenciando que o esquema ia muito além do Executivo estadual.
A manobra da renúncia
A tentativa de Cláudio Castro de escapar do julgamento renunciando ao cargo na véspera da sessão do TSE demonstra o nível de degradação da nossa classe política. O ex-governador, que nutria ambições de concorrer ao Senado, tentou usar uma brecha para esvaziar o objeto da ação. No entanto, a Justiça Eleitoral prosseguiu com o julgamento, aplicando multas pesadas e a inelegibilidade. Os votos divergentes dos ministros Nunes Marques e André Mendonça, que questionaram a falta de provas materiais diretas e a participação efetiva de Castro, não foram suficientes para reverter o quadro.
A condenação de Cláudio Castro é apenas a ponta do iceberg de um sistema político viciado em usar o dinheiro do pagador de impostos para perpetuação no poder. Enquanto a esquerda, liderada por figuras como Lula, aparelha o Estado em nível federal, vemos que velhas práticas fisiológicas não têm coloração partidária. A máquina pública inchada e sem controle é o verdadeiro inimigo do cidadão de bem. Reduzir o tamanho do Estado não é apenas uma questão econômica, é a única vacina eficaz contra a corrupção e o abuso de poder que assolam o Brasil.