Home Política OAB-SP exige investigação sobre ministros do STF no caso Banco Master
Política

OAB-SP exige investigação sobre ministros do STF no caso Banco Master

Share
Leonardo Sica, presidente da OAB-SP, durante seminário sobre reforma do Judiciário em São Paulo
Share

O presidente da OAB-SP, Leonardo Sica, declarou nesta segunda-feira (6) que as suspeitas envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal no escândalo do Banco Master merecem investigação formal pela Procuradoria-Geral da República. A cobrança foi feita durante seminário sobre reforma do Judiciário em São Paulo.

Investigação como defesa da instituição

Sica criticou o silêncio da PGR diante das revelações. “Tudo o que eu conheço foi pelas notícias, e acho que elas merecem uma investigação”, afirmou, conforme reportou o Valor Econômico. Para ele, a investigação protege tanto os investigados quanto a credibilidade do tribunal. “A melhor situação para quem está sob suspeita é ter uma investigação, porque te permite sair da suspeita”, completou.

O caso envolve graves conexões entre ministros da corte e o banqueiro Daniel Vorcaro. O ministro Kassio Nunes Marques viajou em aeronave ligada a empresas associadas a Vorcaro. Já o ministro Dias Toffoli assumiu a relatoria do caso e enfrenta questionamentos porque empresa de parentes seus vendeu participação em resort a fundo da Reag, gestora ligada ao esquema. O ministro Alexandre de Moraes também está no centro das críticas após surgir contrato entre o Banco Master e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, para prestação de serviços jurídicos no valor de R$ 3,6 milhões mensais, conforme apurou o Correio do Brasil com base em reportagens do O Globo.

Crise de confiança no Judiciário

A pressão por transparência reflete um colapso de reputação. Pesquisa da OAB-SP com 12.700 advogados paulistas revela que 81,8% defendem mudança na forma de escolha dos ministros do STF. A atuação da corte é considerada muito negativa por 47,9% dos ouvidos. Apenas 13,4% avaliam como positiva ou muito positiva.

Sica defendeu um código de conduta para ministros antes das eleições de outubro. “O ideal seria que essa questão não virasse pauta da eleição. Não fazendo, isso vai ser o assunto”, alertou. O seminário ainda debateu mandato fixo para ministros — 64,1% dos advogados apoiam oito anos, contra apenas 8,3% que mantêm o modelo vitalício atual.

O escândalo do Banco Master deixou um rombo de R$ 60 bilhões no Fundo Garantidor de Crédito e já é chamado de maior fraude bancária do país pelo ministro Fernando Haddad. Reportagens indicam ainda conexões da gestora Reag com o PCC, levantando a suspeita inédita de infiltração do crime organizado no topo das instituições brasileiras.

A crise institucional que atinge o Supremo Tribunal Federal não nasceu ontem. Ministros nomeados por indicação política, sem mandato fixo e sem código de conduta, atuam como verdadeiros soberanos. Quando a entidade máxima da advocacia paulista precisa vir a público pedir que se investigue ministros da corte, algo está profundamente errado. A solução não é mais investigação interna — é reforma estrutural. Mandato fixo, regras claras de conflito de interesses e fim das nomeações puramente políticas. O Brasil confia demais em quem não presta contas a ninguém.

Share

Últimas Notícias

Propaganda