O Ministério Público da Paraíba denunciou 16 pessoas por desvio no Prato Cheio, com prejuízo estimado em R$ 10,3 milhões entre 2021 e 2023. Entre os citados está Pollyanna Werton, ex-secretária de Desenvolvimento Humano do governo João Azevêdo, acusada de receber R$ 70 mil em propina.
Desvio no Prato Cheio sob investigação
A denúncia foi apresentada no âmbito da Operação Indignus, conduzida pelo Gaeco. Segundo a investigação, o programa deveria distribuir 4 mil refeições diárias em João Pessoa, mas ex-funcionárias relataram a entrega de apenas 1,5 mil. Ainda assim, os contratos eram pagos integralmente.
De acordo com o Jornal da Paraíba, as provas incluem cadernos de anotações apreendidos e mensagens em aplicativo. O inquérito aponta que 16 termos de colaboração movimentaram cerca de R$ 21,6 milhões no período. O principal grupo beneficiado seria ligado ao empresário Kildenn Tadeu de Lucena.
Rede política e dinheiro público
Pollyanna Werton tem passagem por Partido dos Trabalhadores e Partido Socialista Brasileiro e é tratada na Paraíba como aliada histórica de Luiz Inácio Lula da Silva. A suspeita agrava o desgaste de um programa social que atendia moradores de rua em cinco cidades do estado.
A apuração também expõe um padrão conhecido da máquina pública: contratos volumosos, fiscalização fraca e uso político de programas assistenciais. Quando o Estado cresce sem controle, cresce junto o espaço para intermediários, grupos empresariais favorecidos e operadores partidários.
O caso da Paraíba não fala só de corrupção local. Ele mostra como programas sociais viram vitrine política e, sem controle duro, viram também canal de desvio. O discurso da compaixão perde valor quando a estrutura estatal entrega menos da metade e cobra o valor cheio do contribuinte.