A agenda oficial de Janja registrou viagens a 12 países e passagem por 32 cidades brasileiras em cerca de um ano, conforme levantamentos publicados por Gazeta do Povo e Estadão com base em compromissos divulgados pelo governo. A atuação da primeira-dama ganhou espaço crescente em eventos nacionais e internacionais ligados a cultura, educação, saúde e pautas sociais.
Agenda oficial de Janja no Brasil e no exterior
Entre os destinos internacionais, Rosângela da Silva acompanhou agendas em países da Europa, da Ásia e das Américas, muitas vezes ao lado do presidente Lula. No Brasil, a circulação incluiu capitais e cidades do interior em compromissos com ministros, governos locais e representantes de organismos multilaterais. Parte dessas agendas foi divulgada em canais oficiais do Palácio do Planalto.
O ponto central não é a existência de compromissos públicos, mas o peso político assumido por uma função que não tem cargo eletivo nem atribuição formal prevista em lei. Conforme relataram CNN Brasil e Folha de S.Paulo em diferentes ocasiões, a presença de Janja em missões e cerimônias do governo já provocou questionamentos sobre custos, transparência e delimitação institucional.
O governo sustenta que a primeira-dama atua em frentes de interesse social e representativo. Ainda assim, a expansão dessa presença expõe um traço conhecido do lulismo: a personalização do poder e a confusão entre estrutura de Estado, projeto político e círculo íntimo do presidente. Quando a agenda paralela cresce sem freio, a cobrança por prestação de contas precisa crescer junto.
No discurso oficial, tudo aparece como ação social. Na prática, há projeção política sem voto e sem controle claro. Governo que fala em democracia deveria tratar gasto, função e influência com menos improviso e mais limite institucional.