O relator da CPMI do INSS apresentou relatório final pedindo o indiciamento de Lulinha — filho do presidente Lula —, do empresário Vorcaro, do sindicalista conhecido como Careca e de outras 216 pessoas envolvidas no esquema de desvio de recursos de aposentados e pensionistas. O documento foi divulgado em 27 de março de 2026, conforme publicou a CNN Brasil.
O que aponta o relatório da CPMI do INSS
O esquema investigado envolve associações de fachada que descontavam mensalidades ilegais das contas de beneficiários do INSS sem autorização. Os desvios chegam a bilhões de reais e atingem principalmente idosos e pessoas com deficiência. O relatório aponta uma rede articulada entre dirigentes sindicais, empresários e agentes públicos que se beneficiaram do acesso privilegiado ao sistema previdenciário.
Lulinha, cujo nome civil é Fábio Luís Lula da Silva, figura no documento por suposta ligação com empresas e operadores do esquema. Sua presença no relatório reforça o alcance político da investigação e expõe conexões que o Palácio do Planalto preferiria manter fora dos holofotes. A defesa de Lulinha nega qualquer irregularidade.
O relatório segue agora para análise do colegiado da CPMI. Após aprovação, os indiciamentos são encaminhados à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal para abertura de inquéritos e eventual denúncia criminal. A lista de 219 indiciados inclui doleiros, dirigentes de entidades associativas e servidores do próprio INSS.
Indiciamento de Lulinha expõe raio do escândalo
A amplitude da lista — 219 nomes — revela que o esquema não foi obra de poucos oportunistas isolados. Trata-se de uma estrutura organizada, com camadas de proteção política e operacional. O fato de o filho do presidente aparecer entre os indiciados torna o caso politicamente explosivo a menos de dois anos das eleições de 2026.
O escândalo do INSS é, até agora, o maior caso de desvio sistemático contra beneficiários da Previdência Social da história recente do Brasil. Que o nome do filho do presidente figure no relatório não é detalhe menor — é o centro político do problema. Governos que prometem defender os mais pobres e depois aparecem em esquemas que roubam aposentados não merecem credencial moral alguma. O Congresso e o Ministério Público precisam agir com independência. O eleitor, em 2026, com memória.