O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central nesta segunda-feira (30) mostra que o mercado financeiro elevou pela terceira semana consecutiva a projeção de inflação para 2026. A estimativa para o IPCA subiu de 4,17% para 4,31% — patamar já acima do centro da meta oficial, de 3% ao ano. A taxa Selic foi mantida em 12,50% ao final de 2026 pela sétima semana seguida.
Projeção do IPCA sobe pelo terceiro Focus seguido
A revisão acompanha um cenário externo deteriorado. O prolongamento da guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pressiona commodities e câmbio, elevando o custo de vida projetado. Para 2027, o mercado passou a esperar inflação de 3,84% (ante 3,80%); para 2028, subiu de 3,52% para 3,57%. Antes do início do conflito, as estimativas para 2026 ficavam abaixo de 4%, conforme apurou a IstoÉ Dinheiro.
A meta central do Banco Central é de 3%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. O teto, portanto, é 4,5%. A projeção atual de 4,31% ainda está dentro da banda — mas a margem está se estreitando semana a semana.
Selic e PIB: estabilidade com ressalvas
Na próxima reunião do Copom, em abril, o mercado passou a antecipar corte de apenas 0,25 ponto percentual na Selic — recuo em relação à expectativa anterior, de 0,50 ponto. A taxa atual é de 14,75% ao ano, após corte realizado neste mês. Para o PIB, a projeção de crescimento em 2026 subiu levemente, de 1,82% para 1,85%. O dólar deve fechar o ano a R$ 5,40, sem alteração na estimativa.
Outro dado preocupante divulgado pelo Banco Central: as concessões de crédito caíram 6,5% em fevereiro ante janeiro. A inadimplência no crédito livre chegou a 5,5%. Os juros cobrados pelas instituições financeiras no crédito livre subiram para 48,6% ao ano — alta de 0,8 ponto percentual em relação ao mês anterior, conforme publicou o Poder360.
O Focus desta semana resume bem o custo do populismo fiscal: inflação persistente, juros altos e crédito encarecendo. O governo Lula gastou os últimos anos alardeando crescimento, mas o mercado responde com revisões para cima na inflação há três semanas seguidas. Quem paga a conta não é o PT — é o brasileiro que paga 48,6% de juros no crédito e vê o poder de compra corroer mês a mês.