Gilberto Kassab anunciou nesta segunda-feira (30) sua saída da Secretaria do Governo do Estado de São Paulo para se dedicar integralmente às articulações eleitorais do PSD para 2026. A decisão marca o início oficial da corrida presidencial do partido, que deve anunciar seu candidato nos dias 30 ou 31 de março.
Kassab e o PSD na disputa presidencial de 2026
Kassab ocupava a pasta estratégica no governo do governador Tarcísio de Freitas. A saída não foi surpresa: o presidente do PSD vinha sinalizando há meses a disposição de lançar nome próprio à presidência, recusando papel de coadjuvante nas negociações com outras siglas do Centrão.
O partido cresceu expressivamente nas eleições de 2022 e consolidou bancada robusta no Congresso. Com cerca de 44 deputados federais e presença relevante no Senado, o PSD tem musculatura para sustentar uma candidatura presidencial competitiva — ou, ao menos, para negociar uma vice-presidência em condições favoráveis.
A saída de Kassab do governo Tarcísio também sinaliza uma movimentação mais ampla: o governador de São Paulo, pré-candidato natural da direita, precisará reorganizar sua base no estado enquanto o cenário nacional se desenha. A relação entre os dois permanece cordial, mas os interesses eleitorais distintos tornam inevitável algum grau de separação.
Candidatura própria ou moeda de troca
A dúvida que paira nos bastidores é se o PSD de fato lançará candidato próprio ao Palácio do Planalto ou se usará a movimentação para fortalecer sua posição em futuras coalizões. Kassab é um operador político experiente — fundou o DEM, construiu o PSD do zero e sempre soube transformar poder partidário em influência governamental, independentemente de quem vença.
O movimento de Kassab é calculado, como sempre. Sair agora do governo Tarcísio não é ruptura — é reposicionamento. O PSD quer estar na mesa grande de 2026, seja com candidato próprio, seja como fiel da balança entre direita e centro. Para um partido que sobrevive e prospera em qualquer configuração de poder, o que importa é chegar ao segundo turno com ficha para negociar. O eleitor conservador que espera definições claras pode aguardar: o Centrão raramente antecipa o jogo.