A Polícia Federal pressionou o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, por mais transparência em seu acordo de delação premiada. Os investigadores exigem detalhes sobre operações financeiras suspeitas ligadas à instituição, conforme apuração do Metrópoles e da CNN Brasil.
Banco Master e a delação de Vorcaro
A Polícia Federal identificou lacunas nas informações prestadas por Vorcaro e notificou formalmente seus advogados. O ponto central é a estrutura de negócios do Banco Master — incluindo operações com precatórios e títulos de dívida —, que já está no radar de investigadores e do Banco Central há meses.
O Banco Master ganhou notoriedade em 2024 após tentativa frustrada de fusão com o BRB, banco público do Distrito Federal. A operação gerou controvérsia por envolver transferência de risco de ativos podres para uma instituição estatal, o que levantou suspeitas sobre a saúde financeira real do banco de Vorcaro.
A delação, se concluída com dados consistentes, pode expor conexões políticas relevantes. O Banco Master operou em nichos que exigem relacionamento próximo com o poder público — especialmente no mercado de precatórios, onde estados e municípios são contraparte direta.
Investigação avança sobre estrutura financeira
A Polícia Federal quer saber quem mais se beneficiou dos arranjos financeiros do banco. A pressão por transparência indica que os investigadores suspeitam que as informações entregues até agora são incompletas ou seletivas — prática comum em delações onde o colaborador tenta proteger terceiros estratégicos.
O caso Banco Master expõe algo recorrente no capitalismo de laços brasileiro: instituições financeiras crescem na fronteira entre o mercado e o Estado, com lucros privatizados e riscos socializados. A Polícia Federal faz bem em não aceitar meia-delação. Se Vorcaro quer benefícios, que entregue o quadro completo — sem edições convenientes.