O escândalo envolvendo o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, ganhou contornos de crise institucional nesta segunda-feira (16). O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão imediata do acesso da CPMI do INSS aos dados extraídos do celular de Vorcaro, que estavam armazenados em uma sala-cofre no Senado. A decisão ocorre em meio a vazamentos de conversas íntimas do ex-banqueiro com sua ex-namorada, a influenciadora Martha Graeff, e trocas de mensagens com autoridades de Brasília.
A blindagem do STF e a indignação na CPMI
A medida do STF gerou forte reação no Congresso. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana, revelou que uma das mensagens de Vorcaro, enviada no dia de sua primeira prisão, teve como destino um “número funcional” da Suprema Corte. Conforme publicou a Revista Oeste, a mensagem teria sido direcionada ao ministro Alexandre de Moraes. Viana cobrou explicações oficiais sobre quem utilizava o aparelho no momento do contato e defendeu o afastamento de Moraes e de Dias Toffoli durante as investigações, criticando o que chamou de “proteção mútua” entre autoridades.
Transferências milionárias sob suspeita
Além das conexões políticas, o conteúdo do celular de Vorcaro expõe um estilo de vida nababesco financiado por recursos sob investigação. Dados entregues à comissão indicam que o ex-banqueiro transferiu mais de R$ 520 milhões para Martha Graeff. Entre os bens listados estão uma mansão em Miami avaliada em quase meia centena de milhões de dólares, carros de luxo como um Rolls-Royce Cullinan, além de joias e relógios de altíssimo valor. A Polícia Federal (PF) agora fará uma triagem do material para separar o que é de foro íntimo do que interessa à investigação pública.
A decisão de André Mendonça escancara, mais uma vez, a seletividade da nossa Suprema Corte. Quando o alvo é um conservador, o STF não hesita em devassar vidas, quebrar sigilos e expor intimidades em praça pública. No entanto, quando o celular de um banqueiro investigado por corrupção ameaça revelar os bastidores do poder e as conversas com os próprios ministros da Corte, a “preservação da intimidade” vira prioridade máxima. É o velho corporativismo de Brasília em ação: aos amigos e poderosos, o sigilo e a proteção; aos inimigos políticos, o rigor implacável de um sistema que há muito deixou de lado a imparcialidade para atuar como um tribunal de exceção.