O governo Lula divulgou a reunião com Trump antes do aval formal da Casa Branca, que só confirmou o encontro na noite de terça-feira (5), na véspera da audiência prevista em Washington para quarta-feira (7). A informação circulou no lado brasileiro como previsão, mesmo sem garantia oficial dos Estados Unidos.
Reunião com Trump expôs ruído diplomático
Na prática, a confirmação em cima da hora foi lida em Brasília como sinal de baixo prestígio diplomático. Em agendas desse nível, o protocolo costuma ser fechado com antecedência. Quando a chancela sai apenas na véspera, o recado político é claro: a prioridade estava do outro lado.
Segundo o Estadão, auxiliares do Planalto já tratavam o encontro como provável, apesar de a própria Presidência admitir a jornalistas que não havia certeza. O receio tinha base concreta. Uma reunião anterior entre Donald Trump e Lula já havia sido cancelada de última hora pela Casa Branca, sob alegação de compromissos urgentes do presidente americano.
Cálculo político do Planalto
A divulgação antecipada também servia como seguro político. Se houvesse novo cancelamento, o governo poderia converter o constrangimento externo em discurso interno de soberania e confronto com o “imperialismo”, linha conhecida do PT quando enfrenta desgaste internacional. Com a confirmação tardia de Washington, o Planalto evitou um vexame maior, mas não eliminou o desgaste do rito.
O episódio mostra mais ansiedade política do que força diplomática. Ao correr para anunciar a reunião com Trump sem aval da Casa Branca, o governo Lula tentou vender iniciativa onde havia dependência. Quando um encontro presidencial precisa ser confirmado na véspera pelo outro lado, o sinal não é de protagonismo. É de fraqueza de posição.