O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, declarou nesta sexta-feira (20) que a função de um magistrado deve ser pautada pela discrição e responsabilidade, afastando-se da busca por protagonismo. Durante uma palestra na Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Mendonça enfatizou que “o papel de um bom juiz não é ser estrela, é simplesmente julgar de forma certa”.
Deveres acima de privilégios no STF
Relator de casos de grande repercussão, como os que envolvem o Banco Master e o INSS, o ministro adotou um tom de cautela ao comentar sua atuação na Suprema Corte. Ele ressaltou que não se vê como um “salvador” e que o trabalho no STF exige foco nos deveres institucionais, em detrimento de prerrogativas e poderes. A declaração, conforme publicou a Revista Oeste, ocorreu após Mendonça ser homenageado pela presidente da seccional fluminense, Ana Basílio, que o classificou como uma esperança para o resgate de valores morais no país.
Princípios e a crítica ao foco financeiro
Ao se dirigir aos advogados, André Mendonça relembrou sua trajetória na Advocacia-Geral da União (AGU) e no Ministério da Justiça durante o governo de Jair Bolsonaro. Ele utilizou sua experiência para ilustrar a importância de alinhar a prática jurídica aos valores da Constituição. O ministro também criticou a motivação exclusivamente financeira na carreira, afirmando que o ganho deve ser consequência de bons princípios postos em prática. Cristão declarado, Mendonça revelou que busca orientação espiritual para exercer sua função com sabedoria.
Análise NotíciaDireta: A postura de André Mendonça destoa positivamente do ativismo judicial e do estrelato que, infelizmente, tornaram-se marcas registradas de alguns de seus pares no STF. Ao defender a discrição e o apego estrito aos deveres constitucionais, o ministro resgata a verdadeira essência da magistratura, que deve servir à lei e não a vaidades pessoais ou agendas políticas. Em tempos de insegurança jurídica e excessos da Suprema Corte, a sobriedade de Mendonça é um alento necessário para a preservação do Estado de Direito.